25/05/2026

A presidente do governo regional defendeu uma Europa “fechada”, construída a partir das regiões e dos municípios, durante a entrega do Prémio Carlos V de 2026 ao Comité das Regiões

  • Guardiola destaca a copresidência do Comité das Regiões Europeu, liderada por Kata Tütto e Juanma Moreno para o mandato de 2025-2030, como um exemplo de pluralidade, entendimento e boa governação na UE

A presidente do Governo Regional da Extremadura, María Guardiola, destacou na segunda-feira o papel essencial das regiões e dos municípios na construção do projeto europeu durante a cerimónia de entrega do Prémio Europeu Carlos V, realizada no Mosteiro de Yuste, que este ano foi atribuído ao Comité das Regiões (CdR) da União Europeia.

Durante o seu discurso, a presidente da Extremadura defendeu que a Europa “se constrói sobre a coragem e sobre a palavra” e realçou que os governos locais representam a base sobre a qual a União Europeia se apoia. “A ideia da Europa faz-nos lembrar aquela criança a segurar um balão, impedindo-o de se perder no céu. Aquela mão a apertar o cordel, aquela força aparentemente pequena, mas constante, representa os municípios e as regiões”, afirmou.

A chefe do governo regional destacou o trabalho desenvolvido pelo Comité das Regiões Europeu, enquanto instituição responsável por levar a voz dos territórios ao centro das instituições comunitárias, e assegurou que o seu trabalho demonstra que “as cidades e regiões não estão na periferia do projeto europeu, mas sim constituem uma parte decisiva da sua força”.

Neste sentido, defendeu uma Europa “humana, compassiva e acessível”, construída “de baixo para cima”, através da cooperação entre Estados, regiões e municípios. “Só assim poderemos enfrentar os desafios que temos pela frente”, afirmou.

Instituições, garantia da coexistência democrática

A presidente insistiu que o Comité das Regiões Europeu representa “a Europa que escuta”, uma Europa que compreende que “nenhuma decisão é justa se esquecer aqueles que a vivenciam em primeira mão” e que a legitimidade institucional “se baseia na utilidade e na capacidade de responder às reais necessidades dos cidadãos”.

Alertou ainda para o atual contexto internacional marcado por guerras, incertezas económicas e crescente polarização política e social. Em resposta, apelou ao “respeito pelas instituições” e reafirmou o seu valor como garantia de direitos, liberdades e convivência democrática.

“As instituições não pertencem a nenhum governo, partido ou geração. Pertencem aos cidadãos, ao seu passado e ao seu futuro”, afirmou, acrescentando que quando as instituições “enfraquecem ou perdem prestígio, toda a sociedade perde”.

A presidente da Extremadura destacou ainda a fórmula de copresidência do Comité das Regiões da União Europeia, liderada por Kata Tütt e Juanma Moreno, como um exemplo de pluralidade, entendimento e boa governação no seio da União Europeia.

Em relação a Kata Tütt, a presidente destacou o seu compromisso com a sustentabilidade urbana, os serviços públicos e a coesão social, ao mesmo tempo que elogiou a “moderação, serenidade e concordância” de Juanma Moreno como forma de exercer o europeísmo a partir de uma responsabilidade institucional.

Durante o seu discurso, a presidente destacou ainda o papel da Extremadura dentro desta Europa de regiões e municípios, lembrando que a comunidade autónoma está bem ciente da importância de exigir “um financiamento justo, infraestruturas decentes, conectividade eficiente e o direito de crescer e contribuir”.

“Acreditamos nesta Europa de regiões e de municípios porque nela somos todos grandes e todos os cidadãos são idênticos em dignidade e em direitos”, disse.

A presidente expressou ainda a sua gratidão pela presença de Sua Majestade o Rei Felipe VI no evento e pelo apoio da Coroa ao Prémio Europeu Carlos V, um prémio que descreveu como parte do “património emocional da Extremadura e de toda a Espanha”.

O evento, realizado no Mosteiro de Yuste, serviu também para reafirmar o valor do projeto europeu num momento de profundos desafios internacionais. Na parte final do seu discurso, a presidente apelou à confiança coletiva na Europa e na sua capacidade de superar as dificuldades atuais.

“A Europa teve sucesso porque acreditou em si própria. E será capaz de enfrentar os seus novos desafios se continuarmos a acreditar nela e a construí-la a partir de cada região, de cada cidade”, concluiu.

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